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Na
coletânea de sonetos que compõem "A Janela do Sótão",
novo livro de Aroldo Ferreira Leão, o autor revela maior intimidade
com a difícil relação do ser humano frente aos conflitos
universais. Afastando-se da temática conceitual e dos tons proverbiais,
ele constrói sua poeticidade sem elementos proféticos e
sem o didatismo das racionalizações, por vezes geradas no
inconsciente. Livra-se também do desencanto lamuriento, que é
tônica de certos versejadores pessimistas.
"A Janela do Sótão", ainda que não totalmente
liberto das peias impostas pela metrificação, é um
passo largo para a livre expressão poética, do cotidiano
ao imaginário. Importa enfatizar que Aroldo Ferreira Leão
é um fenômeno (necessário adjetivar, porque tudo o
que acontece é fenômeno...) raro. O delírio obsessivo
em poetizar é,com permissão da famosa "licença",
um saudável estado patológico. Sua poesia (que nasce adulta)
emerge aos borbotões, em busca de espaço, forçando
as prisões vocabulares, elaborando simbolismos enigmáticos,
questionamentos místicos, indagações existenciais,
num catadupejar impressionante. Prontas, ou quase, para o leitor.
Criador e criatura têm a mesma compulsória urgência.
"Estou na impaciência que desconhece limites", confessa
o próprio Aroldo. Como exigir, de um poeta jovem, a projeção
de experiências vivenciais profundas, de conotações
reflexivas e conceituais? Não é o caso. Entretanto ele reflete
muitos momentos de notável iluminação, domina a mecânica
do verso, escreve com desenvoltura e cultiva a economia verbal. sobretudo
é dotado de invejável criatividade. Dispondo de tal equipamento,
a sua criação, forjada na bigorna da ebriez artística,
representa a expressão de um talento natural que vai se acercando
cada vez mais do arcabouço técnico, indispensável
para a completa realização poética.
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