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Pelo
menos para o poeta Aroldo Ferreira Leão, 29, radicado há
vários anos em Petrolina, não importa que os livros de poesia
tenham espaço cada vez mais reduzido diante dos de contos e crônicas,
além de romances e biografias. O que importa, no entanto, é
que seis meses depois de autografar o livro de bolso Presságios,
ele acaba de lançar Sisuda Acidez, através da editora do
Clube dos Escritores de Piracicaba, entidade da qual o poeta faz parte.
Com mais de 30 poemas, a maioria composto em versos livres, Sisuda Acidez,
só acrescenta pontos ao folclore existente em torno do poeta, quando
à sua persistência em lançar livros constantemente.
"O Poema não tem fronteira, nem hora e nem dia para ser feito.
Quando ele vem todo tempo é tempo, não pode ser desperdiçado",
justifica Aroldo, que escreve desde os 15 anos de idade.
Para definir seu novo livro, o escritor que também incursiona pelo
conto, diz que seus novos poemas "buscam penetrar no delírio
introspectivo e extropectivo dos olhares cansados e divididos do poeta".
Na apresentação do livro de 32 páginas, assinada
pelo próprio autor e lançado recentemente no bar Cia. dos
Copos, Aroldo escreve que na presente obra procura dialogar com os fatalismos
investigadores de si mesmo. E continua, "quero a desunida ação
que me faz enxergar as carquilhas da vida, os anseios divagantes de alguém
disposto a estar em tudo, ao mesmo tempo e de todas as formas",
Dentro do ângulo poético da criação, em Sisuda
Acidez Aroldo Ferreira não se limita a nenhum modelo literário,
se mostra, talvez, mais solto que nos livros anteriores. Só que
nos versos atuais ele sai um pouco do abstrato e penetra mais no seu interior
pessoal. Como faz no poema A Noite: "A noite passa por mim cheia
de deslizes Lunaticamente dissolvidos na minha concreta imperfeição".
É lamentável que poesia não venda, mas é mais
lamentável ainda reconhecer que não há interesse
pela literatura, principalmente por parte dos jovens estudantes.
Dentre outros títulos publicados por Aroldo estão A Trilogia
da Dor (95), Carta a Tio João Cordeiro (96), Alfabetizando a Alma
(97) e Presságios, também lançado ano passado. Uma
curiosidade é que este poeta nasceu no Rio Grande do Norte e há
dez anos radicou-se em Petrolina. Até o final do ano ele promete
tirar do prelo "A Janela do Sótão".
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