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Nasci
em Parnamirim, cidade que faz parte da região metropolitana de Natal,
capital do Rio Grande do Norte. Sou, portanto, potiguar. No dia
12 de outubro de 1967 vim ao mundo, como primogênito, no seio de
uma família profundamente terna, humana. Acredito que boa parte
de minha poesia, ou toda ela, ainda recebe o eco de generosidade
de meus pais. Seu Heleno, que sempre fazia questão de comprar os
melhores presentes para mim, gostava de me ver feliz e me tratava
com um carinho que até hoje me comove. Jamais feria, nunca procurava
me diminuir em nada e, constantemente, ainda me incentivava a jogar
futebol melhor, a estudar mais, a ouvir com paciência os mais velhos,
a respeitar as crianças, que ele sempre amou como ninguém. Dona
Iaci, professora, cuidava da casa e nunca gostava de fofocas nem
de mau-humor. Até hoje é comum vê-la sorrindo, disposta a conversar
com quem quer que seja sem preconceitos, sem trazer na alma nenhum
indício de avareza ou usura tão comuns nos seres humanos. Dividi
minha infância entre Parnamirim e Monte Alegre, que é a cidade de
meus avós maternos. Meus avós paternos não nasceram em Monte Alegre
mas viveram boa parte de sua vidas nesta cidade que acompanhou o
namoro de meus pais e viu nascer os onze filhos de minha avó Iracema
e meu avô Severino, lindos como a luz que nos encaminha para a verdade
bailando nos cajueiros, mangueiras e coqueiros lá das Cacimbinhas,
sítio herdado de meu bisavô Vicente, que até hoje une a família
em torno das caminhadas que por lá fazemos relembrando nossos mortos
e colhendo, nos orvalhos das plantas que nos olham, uma compreensão
mais abrangente dos vivos que nos rodeiam. Estudei da primeira a
oitava série do 1º grau em Parnamirim. A partir do primeiro ano
do 2º grau comecei a estudar em Natal, no Colégio Salesiano, que
fica na Ribeira, bairro onde estão concentrados, principalmente,
o Teatro Alberto Maranhão, a Estação de Trem e a antiga rodoviária,
hoje servindo apenas para ônibus com trajetos dentro da própria
cidade. No segundo ano do 2º grau tive contato com o professor que
trouxe a poesia para minha alma. Sempre mal vestido e falando muito,
andando sempre de moto, Roberto não se encaixava no perfil dos professores
da escola. Nas suas aulas ele recitava poemas próprios e de outros
grandes autores. O fato é que, pela sua forma de ser e de falar
em poesia, contagiava toda a classe, que se entusiasmava e participava
de suas discussões com vivacidade. Acredito que eu tinha entre catorze
para quinze anos quando comecei a escrever e, felizmente ou infelizmente,
nunca mais parei. Sempre buscando por mim mesmo, contornando ermos
e ânsias, penetrando no mistério de tudo, ouvindo a harmonia dos
instintos do nada. Quando entrei para a Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, em 1985, para cursar Engenharia Elétrica, já
escrevia com freqüência e, no final de 1989, ano de minha formatura,
fui selecionado, juntamente com quarenta e três novos poetas potiguares,
para fazer parte de uma antologia elaborada pela Fundação José Augusto,
que só foi publicada em 1990. Daí em diante busquei publicar meus
poemas e senti, como todo autor iniciante, as dificuldades de se
editar uma obra num país que pouco valoriza a cultura. Morei em
Salvador, Rio de Janeiro, Campina Grande e, em 1993, fui aprovado
no concurso para Auditor Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado
da Bahia, sendo chamado para trabalhar, no início de 1994, na cidade
de Juazeiro, no sertão baiano, cidade que faz fronteira com Petrolina,
no sertão pernambucano, as duas banhadas pelas águas sedutoras do
Rio São Francisco. O fato é que, entre idas e vindas, na dança da
esperança que avança sobre nossas almas cansadas, consegui publicar
meu primeiro livro, em 1995, A Trilogia da Dor, que deveria
sair em dois volumes, mas veio à tona apenas o primeiro. O segundo
aguarda num forno poético de oito anos. Até agora, em 2003, consegui
a publicação de quarenta e quatro livros. Em 1996, lancei um; Em
1997, dois; Em 1998, dois; Em 1999, três; Em 2000, três; Em 2001,
dezesseis; Em 2002, dezessete. Para 2003 planejo a publicação de
dez livros de poesias, dois de contos, dois de crônicas, dois de
teatro e um de pensamentos. Ah, também componho canções e lancei
em 2001 meu primeiro CD, Sacolejos e Manejos. Em 2003 planejo
o lançamento de mais dois CD's, O Desassossego da Idéia
e A Poesia das Coisas. Sonhando e plantando muito, criando
insistentemente e prazerosamente, penso que só o futuro dirá com
precisão se minha obra atingirá mentes e espíritos como eu acredito
que atingirá. Vivemos numa época de muita tecnologia e pouca espiritualidade,
homens apressados buzinam na solidão de seus irmãos com impaciência,
velhos e jovens não se respeitam, o amor, murcho e doído, prossegue
sobrevivendo ante os impactos de irracionalidade dos humanos, sempre
frágeis, sempre nada. Continuo acreditando na poesia, velha senhora
que me abraça todos os dias com seu humilde triunfo de bondade e
perdão.
Aroldo
Ferreira Leão
Petrolina/Juazeiro, 20/05/2003 |