| Uma
Coroa do livro Duas Coroas de Caras Íntimas
(I)
Te
sufoca a vida, o instante que não
Passa, a tardia dor alicerçada
No nada desses dias sós, em vão.
No teu interior o mundo nada
Em
lágrimas, refaz a percepção
Malfadada da vez contaminada
Pelo ocaso das sombras. Na união
Com o impossível sentes a cansada
Sensação
disfarçada nos sorrisos
Desgastados por tímidos momentos
Mortos de ações coesas. Tens
concisos
Olhares
indecisos, sentimentos
Que procuram motivos rarefeitos
Para punirem teus muitos defeitos.
(II)
Para
punirem teus muitos defeitos
Cobriram-te de mágoas, preconceitos.
Tornaram-te menino de imperfeitos
Silêncios ajuntados pelos jeitos
Imponderados
da vida. Sujeitos
Vazios somos todos nós, conceitos
Podres em corações de ocos defeitos
Eternamente vis, mais que perfeitos.
Òbvias
realidades contêm suspeitos
Indícios de segredos maus aceitos
Pela alma num ritmo ávido de estreitos
Degredos
solitários. Tensos feitos
Do espírito uniram-te aos eleitos,
Jogaram-te no caos dos ermos leitos.
(III)
Jogaram-te no caos dos ermos leitos
E agora buscas o senso dos frágeis.
Estás na imensidão desses desgostos
Desavisados, na luz dos consolos
Parcos.
Morres como os seres afeitos
Às angústias, procuras incontáveis
Movimentos dispersos nesses rostos
Pálidos de degredos. Nos miolos
Das
mentes solitárias investigas
As cantigas de algumas percepções
Sofridas, os mormaços dos cansaços
Infinitos.
Reténs em ti as intrigas
De ocas futilidades, convicções
Perdidas nos delírios sem inchaços.
(IV)
Perdidas
nos delírios sem inchaços
Velhas almas tateiam nos conflitos,
Investigam os medos dos delitos,
Sofrem unidas aos tensos ritos
Da
correria do universo. Abraços
Do tempo as tornam simples conseqüências
Polidas nos desgostos, eloqüências
De sentido acabado. Divergências
E
segredos as punem, criam nelas
Mesmas os pesadelos dos fantasmas
Intranqüilos, unidos aos miasmas
Dos
espíritos vis. Presas às selas
Do silêncio refazem-se dos laços,
Inteiras sobras firmes dos bagaços.
(V)
Inteiras
sobras firmes dos bagaços
Guardam o teor dos desejos crassos,
A impaciência ávida de passos
E estradas, a cor dos desembaraços.
Somos
a ignorância erma desses traços
Feitos pelos pincéis da dor, amassos
De mãos sujas, canções de ocos compassos.
Em nós habitam cíclicos mormaços
Que
nos fundem aos tísicos indícios
Soltos em nossas livres percepções.
Há no universo prantos e alegrias,
Sentimentos
unidos por suplícios
Acesos nas ações de concepções
Querem a força das monotonias.
(VI)
Querem
a força das monotonias
Esses loucos espíritos confusos
E doídos, completos de desusos.
São passageiros das ruas sozinhas,
Crianças
de visão terna, vazias
Esperanças em vão, medos difusos
Que se espalham nos tácitos abusos
Das criaturas cínicas. Nas linhas
Dos
destinos estão as ninharias
Dos caminhos dispersos por intrusos
Intuitos comovidos, velhas vias
Mortas
pelos tormentos das obnóxias
Intenções divididas em obtusos
Degredos alocados nas essências.
(VII)
Degredos alocados nas essências
Têm uma solidão própria, aparências
Que desunem incertas confluências
De abertas noções tensas. Ausências
Recriam
no ser o silêncio tímido
Dos corações perdidos, o polido
Desejo alimentado pelo cálido
Pensamento profético. Sofrido
È
o indivíduo perplexo ante as carências
De si mesmo, diante das vivências
Podres que o englobam como dissidências
Do
nada. Estamos no olhar dividido
Pelas surpresas mais secas, no lívido
Segredo que dói e a tudo torna árido.
(VIII)
Segredo
que dói e a tudo torna árido
Nos redimensiona nos reflexos
Das contingências, traz os desconexos
Apelos dos instantes meio sofridos.
Incertos
pensamentos vêm no fétido
Olhar sucumbido em tolos amplexos
Sem braços, nos contínuos sons complexos
Dos ecos bestiais. Sensos paridos
Nas
desmotivações geram conceitos
Imperfeitos da vida, rarefeitos
Conhecimentos vindos no renhido
Orvalhar
das manhãs contaminadas
Pelas dores das almas sempre aladas,
Constroem a angústia ínvia de um sonho híbrido.
(IX)
Constroem
a angústia ínvia de um sonho híbrido
Tuas sensações a respeito dos fatos
Que te deixam triste, hábitos ingratos
Trazendo ao teu espírito coesos
Movimentos
sem ritmo, um incontido
Toque de mãos na face desses atos
Solitários, sentidos de contatos
Inexistentes. És os indefesos
Soluços
das crianças sem ninguém,
O aperriado modo de encarar
As coisas e seguir no rastejar
Sereno
dos intuitos sempre aquém
Dessas expectativas corroídas,
Erguidas no eterno íntimo das dúvidas.
(X)
Erguidas
no eterno íntimo das dúvidas,
Há as solidões de nós mesmos, guaridas
Construídas com os livres intentos
Das mentes soltas nos nivelamentos
Dos
vazios. Intensas vidas más
Distribuem no tempo incertas pás
De agonias, surpresas, ilusões.
Algo deixou-nos sós, contradições
Arquitetaram
velhas fugas, raras
Concepções do infinito. Nossas máscaras
Estão presas ao medo das searas,
Da
beleza do risco em atrevidas
Intuições malsãs, despercebidas.
As coisas contêm ânsias poluídas.
(XI)
As
coisas contêm ânsias poluídas,
Sentenças que confundem os calados
Olhos abertos às realidades
Bastante impacientes. Compassados
Tormentos
desconcentram as inválidas
Canções de notas mortas, tontos fados
Rolados nas estradas das saudades
Sem esperança. Vícios agrupados
Em
frágeis percepções, pluralidades
Descuidadas e ternas, criam lados
Soturnos nos espíritos de lidas
Incansáveis.
Insossas acuidades
Procuram no ser tons desafinados,
Silêncios sem subidas nem descidas.
(XII)
Silêncios
sem subidas nem descidas
Vêm ao meu interior num orquestrado
Movimento moldado no passado
Das auroras proféticas. Cantigas
Desencontradas
no mundo são ávidas
Releituras dos ecos que em estado
De dor maior refletem algum brado
Angustiado com essas intrigas
Dissolvidas
na alma, únicas de vívidas
Intenções de senões vãos. No apertado
Sorriso dos meninos de fadigas
Contínuas
preexistem confundidas
Ações contaminadas pelo agrado
Dos corações plurais das raparigas.
(XIII)
Dos
corações plurais das raparigas
O universo suspira de defeitos,
Preconceitos velados por proveitos
Ilimitados, rudes circunstâncias
Alimentando vítimas antigas
Dos desejos reais. Nos insuspeitos
Momentos bons a vida possui peitos
Grandes, bocas gulosas por constâncias
Mais
suaves, afetos dissolvidos
Em envolvidos atos destemidos.
O sonho põe no gozo certas ligas
Que
unem a eternidade a esses ruídos
Estranhos que penetram fundo, tórridos,
Nas noites cheias da paz das barrigas.
(XIV)
Nas
noites cheias da paz das barrigas
Encontramos a essência dos partidos
Sentimentos amargos. Paralíticas
Razões nos reencontram em artríticas
Noções
estomacais como formigas
Trabalhando dia-a-dia nos pálidos
Contratempos da vida. Nódoas cítricas
Espalham-se nos sensos das apáticas
Desilusões
sombrias, trazem meios
De sermos infelizes, aperreios
Desgarrados como a dor das lombrigas
Sem
corpos para estarem. Nos anseios
Das criaturas livres, sem receios,
Tem-se o amor que é amplo, limpo de bexigas.
(XV)
Para punirem teus muitos defeitos,
Jogaram-te no caos dos ermos leitos.
Perdidas nos delírios sem inchaços,
Inteiras sobras firmes dos bagaços
Querem
a força das monotonias.
Degredos alocados nas essências,
Segredo que dói e a tudo torna árido,
Constroem a angústia ínvia de um sonho híbrido.
Erguidas no eterno íntimo das dúvidas,
As coisas contêm ânsias poluídas,
Silêncios sem subidas nem descidas.
Dos
corações plurais das raparigas,
Nas noites cheias da paz das barrigas,
Tem-se o amor que é amplo, limpo de bexigas.
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