A Poesia
de Aroldo Ferreira Leão
Li, com
atenção, as poesias de Aroldo Ferreira Leão,
poeta nascido em Parnamirim, Rio Grande Norte. Sisuda Sisudez,
O Espelho dos Labirintos e A Manhã Vã do Amanhã.
Muito ligado aos temas da História e Ensaios Históricos,
nada me impede, entretanto, de gostar da poesia, isso porque
também sou um dos muitos apaixonados pela Filosofia.
E exatamente isso foi o que me despertou atenção
nas poesias de Aroldo. De saída, a sua juventude, trançada
com inquietações, ora de velho e ora de filósofo,
com divagações pela Teologia. Ora pessimista e
ora audacioso, um certo contraste instala-se na sua produção
poética, por conta da inquietação que vive
quando escreve, num labirinto existencial que certamente lhe
reserva futuras e grandes oportunidades poéticas. Aguardemos...
Mas Aroldo tem segurança nas suas afirmações
e conclusões. Vejamos :
Sou incertezas
diversas, / caminhos perdidos nas / estradas lancinantes / dos
reagrupamentos / que nos fortalecem / intuitivamente. / sou
o amplo sentidos dos / motivos que / surpreendem sempre, do
poema Sou. O poeta segue e afirma, mais adiante : Dói-me
a coesão / dos esquecimentos / os ressentimentos / sem
razão., do poema Dói-me. No poema Escorregadio,
Aroldo fala de sua vizinhança com a solidão: A
solidão vista / da minha janela é uma pista /
escorregadia que dista / muito pouco de mim. Aroldo ainda tem
seu eu não definido, em outro poema também de
nome Sou : sou confuso, sozinho, / algo em desuso, vizinho do
obtuso medo, carinho inconcluso, pinho que já não
toca, mudo.../ Poeta cheio de inquietações, Aroldo
estanca diante de gravíssimo e eterno problema, no poema
Memória: A memória do medo / habita a história
/ de todo segredo.
Interessantes repetições de poema com o nome Sou,
mostra a situação caleidoscópica do poeta,
procurando encontrar-se dentro de si mesmo, numa permanente
conexão com o universo, desde o micro, seu sertão,
até o macro, o universal que todos desejamos atingir.
Os poema que mencionei estão no livro O Espelho dos Labirintos,
um livro de densidade teológica e filosófica,
sem obrigatoriamente os cânones sagrados das duas doutrinas,
mas com as preocupações do homem comum, cotidiano.
Seu outro livro, Sisuda Sisudez, confesso, não me despertou
muita atenção, vez que a temática, ali,
tem certa repetição...
Mas anotei, com certa simpatia, no seu livro A Manhã
Vã do Amanhã, algo que vale a pena ler, no poema
II – somos a síntese desmiolada / dos desencontros,
/ o eco deteriorado / das vidas ausentes de si mesmas, /a fuga
das almas / cansadas de seus fantasmas.
Concluindo, e voltado ao livro O Labirinto dos Espelhos, depois
de tantas inquietações e perquirições,
Aroldo, no poema Escreveu, remete-nos a uma imensa surpresa
sobre ser escritor: escreveu, escreveu, / cansou. / Morreu.
/ sonhou, pensou / que já era perfeito, / abraçou
serenamente / seu próprio desespero, / buscou-se nas
elucidações / fantasmagóricas / de si mesmo.
Dia chegará no qual Aroldo, o poeta, nos colocará
novas surpresas sobre o que pensa da vida, e consegue dizer
em poesias.
Luiz Nogueira
Barros
Médico e historiador – Sócio efetivo do
Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e
da Academia Alagoana de Letras
Maceió, Maio de 2003