| Quando a lua se
espelha nas águas mansas do São Franscisco e as
estrelas aplaudem a sutil vaidade dessa desvairada senhora , nós,
reles mortais, nos fartamos de alimentar nossa aura poética.
Esse é o cenário bucólico que serve de fundo
para os “cem sonetos”, do livro A Janela do Sótão,
que são, nada mais nada menos, a perpetuação
de instantes poéticos concretizados em grafológicas
palavras, é o eterno... E nesta sincronia entre a concretude
do momento e o abstratismo do sentimento que Aroldo se coloca
como o instrumento fazedor de poemas, que busca na efemeridade
da vida sedimentar o epicurismo cultural tão gotejante
nesta cidade, neste país, neste planeta... E a divindade
di criar se materializa no verso, no acorde, na canção
e, principalmente, na vontade de socializar aquilo que o seu coração
expele, o sabor da criação arraigada na superfície
planificada do saber. Este é apenas um elo do aceno deste
que se rotularmos de artista ou escritor ou compositor é
incompleto... Prefiro chamá-lo apenas de humano... de pessoa...
de gente! Que se preocupa coma sabedoria ampliada desta sociedade
tão necessitada do pão da alma. Petrolina precisa
tanto de você, Aroldo, de sua audaz criação,
da sua irreverência do momento e como o”eterno(infinito)
enquanto dure” prevalece em nós, criaturas da noite,
inebriadas pelo poder do criar, trilhe o caminho da criação
apenas como aquele que crê e, crendo, realiza... eternizando.
Cibele
de Lima
Petrolina/PE, 1998
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