| Para poemas, cada
um tem uma definição. Nenhuma jamais será
definitiva. Digo: escrever poemas é um ato de amor com
a palavra. Mas não é só isso. Uma vez escrevi
que versos são palavras acesas. Mas não é
só isso. Versos são palavras fervilhantes, inquietas;
estilhaços cortantes; fagulhas incendiárias; lâminas
fluorescentes... Mas não é só isso. São,
também, afagos, brandura, leveza, buscas e sonhos. Nunca
nenhuma fuga. Com tanta grandeza, a poesia está em todo
canto, pra todo mundo. Mas existem pessoas que enxergam mais que
outras. Aroldo é uma dessas pessoas iluminadas. É
mais que isso. É um receptor em tempo integral. Toma café,
almoça, janta, trabalha, namora, ouve, fala, canta, anda,
vive poesia-palavra-poema. Creio que até dormindo escreve.
Mas não é só isso. Aroldo é um extraordinário
cidadão-comum. Naturalíssimo. Sem firulas, sem truques,
vai compondo versos aos borbotões. Sua poesia transborda
feito cachoeiras líricas, com uma quantidade descomunal
que impressiona tanto quanto a qualidade. Escrevendo, Aroldo,
tem a garra e a voracidade das águias e a esperteza, leveza
e doçura dos colibris. Mas não é só
isso. Não basta escrever versos pra ser poeta( existem
pessoas que escrevem versos, mas não passam de pessoas
que escrevem versos). O poeta se funde e se confunde com o universo
de sua poesia; faz parte dele; vive em permanente mergulho no
abismo sem fim da poesia. Quando não pode(ou não
quer) precipitar-se nesse abismo, o poeta deixa adormecer em paz
sua poesia. E ela ficará intocável até um
novo mergulho – se for o caso. Mas Aroldo não dá
descanso à poesia. Traquino, malina, mexe e remexe com
as palavras com intimidade de namoro avançado. Faz o que
faz porque sabe que sabe, que quer, que deve e pode fazer e assumir:
Versos e mais versos. Mergulhos profundos no fundo da alma humana
marcada pela incerteza, pela dor e pelas esperanças. A
poesia de Aroldo não conhece limites. Afinal, só
há limites em quem não se precipita no abismo da
vida.
Virgílio
Siqueira
Petrolina/PE, 1995
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