| Falar de ti, poesia,
como poderei? Se és um rosário de estrelas explodindo
emoções onde contas de luz unem-se para incendiar
sensíveis corações. Como poderei falar de
ti, linguagem divina, se és sol e eu pobre lamparina? Potencial
melodioso que estrapola os limites intrínsecos do meu ser
permanecendo na sua acústica. Certamente nunca poderei
decifrar-te. Ao tempo em que nos faz chorar, faz-nos sorrir e
amar, transportando-nos a dimensões cósmicas inalcançáveis
no embalo da tua suave melodia. Perdidos no devaneio dos sonhos,
silenciamos os nossos corações e sentimos apenas
os matizes da tua vibração. Poesia? É flor
que nasce no recôndito do coração, expandindo
perfumes, incitando-nos ao amor. Resta-nos tão somente
soletrar a Cartilha Poética de Aroldo Ferreira Leão
que, rasgando os horizontes do 3º milênio, salpica
pérolas em forma de versos. Ele, poeta de sensibilidade
transcendente, amante incontestável do belo, vive aproveitando
todas as nuances da vida para cantar e versejar.
Geanete
Castro
Vitória da Conquista/BA, 1997
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