| “PESSOAS
ANGUSTIADAS”
As pessoas andam cada vez mais angustiadas. Este nosso tempo,
que consome esperanças e sonhos, com a velocidade de nossas
mentiras e ambições, nos transforma em seres de
pretensões sujas. Mas o que estamos fazendo para nos melhorar?!
Como sempre, nada. Nossa felicidade não está em
ver bem os outros, está em nos ver bem sem olhar as necessidades
dos outros, principalmente dos miseráveis, daqueles que
passam fome, que não têm um teto digno para morar,
que não podem ter o auxílio de um bom médico
na hora de uma dificuldade qualquer na saúde. Há
muitas vidas padecendo por tantos motivos, tanta gente buscando
uma afirmação de si mesmo e não encontrando
apoio, tanta violência e ignorância causadas por um
sistema que destrói os oprimidos, aniquila o resto de luz
dos mais fracos, mata a pureza das coisas, acelera a decadência
espiritual de todo mundo. Porém o que qualquer pessoa deseja
é saúde, um lar, lazer, respeito, um emprego que
possibilite para ela pelo menos comprar alimentos para manter
sua família sem precisar estar pedindo nada para ninguém.
Entretanto, em nosso país, milhões de pessoas não
têm assistência de saúde nem tampouco uma casa,
por mais humilde que seja, para viverem em paz. Não têm
o respeito de ninguém, tampouco dos políticos que
só se interessam por gente pobre na época das eleições,
virando-lhes as costas tão logo consigam saber que estão
eleitos. Os desempregados, que, na sua grande maioria, são
pessoas de bem e têm uma família para sustentar,
se vêem aperriados visto que vivendo sem um emprego não
conseguirão manter seus compromissos financeiros, além
de não desfrutarem das opções de lazer que
sua cidade ou estado oferecem. Ter um emprego, nos dias atuais,
é um milagre, como de resto é um milagre ter boa
saúde, um lar decente para morar, um tempo para curtir
a família e os amigos, uma tranqüilidade para analisar
os fenômenos da vida com sinceridade e paciência.
A sociedade é injusta e leviana por demais, consegue deturpar
valores com uma facilidade espantosa, rouba a essência dos
silêncios mais gentis. No entanto, por incrível que
pareça, vai nos aprimorando, nos modelando em cada atitude
errada ou certa que praticamos em nossas vidas e, a partir disso,
desse vai e vem de inconseqüências é que em
nós nascerá a força que nos levará
para a descoberta de nós mesmos, indivíduos imperfeitos
e confusos ante a estrutura teatral deste nosso universo rodeado
de estrelas e silêncios, tão só quanto o coração
dos aflitos, tão nosso que não é de ninguém.
Aroldo Ferreira
Leão
Petrolina, 28/10/99
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