| HOMENS
Homens
que matam outros homens, homens que roubam a paz de muitos inocentes,
homens que interferem negativamente no crescimento espiritual
de tantos homens, homens impiedosamente maus, homens que não
estão dispostos a compreenderem ninguém, homens
de vaidades ilimitadas, homens ambiciosamente envolvidos com suas
próprias pretensões despreparadas e cansativas,
homens cegos de alma, homens sem luz, homens de amor quase inexistente,
homens que jamais conhecerão a solidão de si mesmos,
homens politicamente sujos, homens imperfeitos de chatice, homens
que não aprenderam a amar seus semelhantes, homens sem
interior, homens que desconhecem os abismos que perpassam cada
um de nós, homens mentirosos e inconseqüentes, homens
de fé miserável, homens de olhar sem sublimidade,
homens que já morreram antes mesmo de existirem, homens
assombrados consigo mesmos, homens individualizados em sentimentos
cada vez mais carregados de fantasias regadas a ambições
e privilégios, homens que por incrível que pareça
não apreciam a natureza por absoluta falta de tempo em
seus negócios muitas vezes cheios de corrupção
e desamor, homens monstruosamente absorvidos por um sistema repleto
de ignorância e desumanidade, homens divididos entre o nada
das impetulâncias e o vazio das inconstâncias, homens
desagradáveis e desnorteados, homens dissociados meticulosamente
da perfeição, homens que respiram a morbidez de
um tempo violento, desesperado e despreparado emocionalmente,
homens de metas podres e irracionais, homens apáticos e
sem poesia no coração, homens ridículos e
descontinuamente alicerçados nas desconversas de toda falsidade,
homens perigosos e totalmente entregues as precipitações
da vida dita moderna, contemporânea, homens que esquecem
que são velhos doentes habitando um planeta desgastado
por imprudentes cidadãos sem responsabilidade nenhuma com
o futuro que um dia chegará impiedosamente desesperançoso
e frio.
Aroldo Ferreira Leão
Petrolina, 10/06/97
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